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Cultura
Neste sábado, pelas 21h30. Deolinda no palco da Casa das Artes
    20-01-2012
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    "Dá-me a tua mão, sai de casa e vem para a rua". A música popular lisboeta rememorou os seus feitos, redescobriu alegria e candura num meio onde isso já parecia improvável. O mérito deve-se à expressividade de Ana Bacalhau e à musicalidade dos Deolinda. A banda, um verdadeiro caso de sucesso da música popular portuguesa, sobe ao palco da Casa das Artes, este sábado, dia 21 de Janeiro, a partir das 21h30.

    Ora cantar Lisboa – isto é, dizer, exaltar, louvar, poetar, gorjear um certo estado de espírito e uma certa maneira de estar e de conviver numa certa cidade – não é tarefa fácil. Por um lado trata-se de uma cidade onde cabe um país inteiro, cheio de particularidades. Por outro cantar é ofício antigo, já muito usado e abusado; coisa de artesão, e com tecnologia de outras eras.
    Mas as canções de Pedro da Silva Martins transmitem uma série de saborosos ingredientes que não dependem da tecnologia instrumental. Por exemplo: o empenhamento de um olhar atento, selectivo e consciente do espaço em que age. E certas outras qualidades desse olhar. Vivacidade, agilidade, afectividade; discernimento e sensatez num meio em que estes não abundam (e por isso disfarçados de sátira). Para além de uma peculiar alegria no entendimento – quando o olhar afinal se compõe e se pode exprimir por palavras, articular-se, numa linguagem fluida e escorreita, mas requintada e correctíssima.
    E se parece tão fácil quando se canta, provavelmente há duas razões para isso. A primeira e evidentíssima, é o nível de exemplaridade a que Ana Bacalhau está a saber levar a sua arte, feita respiração, timbre e prosódia em deolíndico corpo. A segunda, igualmente evidente a quem tiver ouvido atento, são as tessituras instrumentais que convocam e integram diversas formas musicais castiças, das antigas às recentes, com engenho mas sem artifícios.
    E com esses dois selos sucede a tal coisa: as canções tornam-se contagiantes, tornam-se entusiasmo, tornam-se populares. De súbito, toda a gente percebe quem é a Deolinda. A Deolinda és tu, é ela, sou eu. E o maior mastro do mundo é português!
    Falta o carimbo. Vai para a felicidade da ilustração e do tratamento gráfico, a fazer lembrar as folhas volantes, com as letras das canções em voga, que os cegos outrora vendiam nas ruas da Baixa e nas estações de comboio.
    Música para cegos? Bom ponto de vista para uma sátira.
    Desde que não caia em orelhas moucas…

    FICHA TÉCNICA
    Deolinda
    Acústico / Folclórica
    21 de Janeiro| Sábado | 21h30 | Grande Auditório da Casa das Artes de Famalicão
    Entrada: 20 euros
    M/4
    Duração: 80 m
    www.myspace.com/deolindalisboa

    Ana Bacalhau Voz
    Pedro da Silva Martins Guitarra
    Luis José Martins Guitarra
    Zé Pedro Leitão Contrabaixo

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