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Cultura e Turismo
Manoel de Oliveira emocionado em Famalicão
    15-03-2005
    Visivelmente emocionado, o realizador Manoel de Oliveira manifestou-se \"honrado e sensibilizado\" com a homenagem que lhe foi prestada na noite da passada sexta-feira, 11 de Março, pelo Famafest 2005 – Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Vila Nova de Famalicão, uma organização do pelouro da Cultura da Câmara Municipal, ao ter recebido o troféu Pena de Camilo das mãos do edil Armindo Costa.

    \"Sinto-me particularmente honrado com esta homenagem, já que ela se baseia num documentário sobre a cidade e o concelho que, visto hoje, me deixa insatisfeito\", afirmou, aludindo ao documentário que fez sobre Famalicão em 1940 e que foi exibido na noite de abertura do Famafest\' 2005.

    Para o mestre do cinema, receber este troféu teve mais significado do que qualquer outro. “Primeiro porque é a Pena de Camilo, segundo é um prémio de Famalicão, terceiro é de Portugal e, por último, porque sou português”, explicou. Por essas razões, Manuel de Oliveira confessou estar muito comovido “mais do que com qualquer outro prémio que tenha recebido no estrangeiro”.

    No acto, que decorreu no grande auditório da casa das Artes, participaram o presidente da Câmara, Armindo Costa, que classificou Manoel de Oliveira como “mestre dos realizadores e um cidadão do mundo”, e o director do Festival, o crítico de cinema Lauro António. O troféu com que Manoel de Oliveira foi galardoado constitui um prémio de carreira e contempla personalidades de diversas áreas – cinema, literatura e espectáculo – mas que se tenham notabilizado pela sua ligação, directa ou indirecta, à Sétima Arte.

    \"Esta homenagem é um acto da mais elementar justiça”, afirmou Armindo Costa, referindo-se ao cineasta como “o maior vulto do cinema português, com uma carreira ímpar a nível internacional, e autor de uma filmografia vastíssima e diversificada”. “Manoel de Oliveira é tudo isso, mas, antes de mais, um humanista, um visionário e um criador”, acrescentou o autarca famalicense.

    O presidente da Câmara lembrou ainda a ligação entre a obra cinematográfica de Manoel de Oliveira com a obra literária de Camilo Castelo Branco. E exemplificou com os filmes realizados pelo cineasta em Seide como o \"Amor de Perdição\", \"Francisca\" e \"O Dia do Desespero\". “Este é um caso único, de admiração e amor, que junta dois génios”, remata o edil.

    A anteceder as breves palavras de Manoel Oliveira, Lauro António enalteceu o conjunto da obra do mais prestigiado realizador português, salientando que o homenageado \"acreditou sempre no cinema que quis fazer\". \"A carreira de Manoel Oliveira é uma lição não só para os cineastas e amantes da sétima arte, mas também para todos os portugueses, pela independência, perseverança e criatividade que sempre exibiu\", afirmou.

    O presidente da Câmara sublinhou que o Famafest acompanha as comemorações dos 800 anos da atribuição da carta de foral a Famalicão, por D. Sancho I, dos 170 anos da elevação a concelho e dos 20 anos de cidade, apresentando um novo ciclo temático intitulado \"Filmes com História\".

    No âmbito deste ciclo, foi exibido um dos primeiros filmes de Manoel Oliveira, realizado em 1940, denominado \"Famalicão\", um documentário onde se apresenta o município como um centro de comunicação rodoviária e ferroviária, entre várias localidades do Norte.

    De seguida, foi passado a mais recente longa-metragem de Oliveira \"O Quinto Império – Ontem como Hoje\", uma adaptação para cinema de um texto de José Régio sobre D. Sebastião e o Portugal do século XVI.

    Com mais de 70 anos de carreira, o realizador, com 97 anos de idade, é o cineasta que mais prémios conseguiu para o cinema português.

    Além de Manoel de Oliveira, o Famafest 2005 homenageia domingo a actriz Maria do Ceú Guerra, estando previstas outras homenagens a personalidades do mundo da Literatura, do Cinema e do Espectáculo, entre eles a escritora Lídia Jorge (terça-feira, dia 15) e o actor Nicolau Breyner (sábado, dia 19).

    Para além da homenagem, o presidente da Câmara aproveitou para recordar que o Famafest “tem conseguido manter um equilíbrio entre os seus traços originais, unindo o cinema e a literatura, não perdendo de vista a necessidade de inovar, explorando novos e diferentes caminhos”.

    Nesse contexto referiu-se à integração no festival do concurso de vídeo sobre os “800 Anos de Foral”, ao alargamento do festival ao Centro Cultural de Joane, no âmbito de \"uma política municipal de descentralização cultural\", à criação de um sítio oficial do Famafest na Internet, e, por fim, anunciou que no próximo ano o Famafest se estenderá ao auditório do Centro de Estudos Camilianos, em Seide, cujo desenho é resultado do arquitecto Siza Vieira, “outro génio das artes”, finalizou Armindo Costa.


    MARIA DO CÉU GUERRA APLAUDE FAMAFEST

    “Alguém que se entrega de alma e coração ao teatro, sendo esse o seu grande amor”. As palavras são de Lauro António e referem-se à actriz Maria do Céu Guerra, uma das homenageadas do Famafest\' 2005. A condecoração da actriz com o troféu “Pena de Camilo” decorreu na noite de domingo, na presença do director do Famafest, Lauro António, e do adjunto do presidente da Câmara Municipal para a Cultura, Leonel Rocha.

    Maria do Céu Guerra não poupou as palavras e deixou bem patente o seu agradecimento por receber um troféu que constituiu um prémio de carreira do Famafest. E a propósito desse galardão, considerou que a Pena de Camilo, “é uma justiça a Camilo, o grande romancista do século XIX”.

    Maria do Céu Guerra saudou a existência do Cinema e da Literatura. Após defender que a “literatura é a mãe do cinema, e a mãe de ambos é a curiosidade”, a actriz lamenta ter feito pouco cinema, “uma arte que nos coloca perante realidades extraordinárias”.

    Dirigindo-se em particular ao Famafest, Céu Guerra louvou a sua existência, pois “é uma das melhores formas de dinamizar uma terra, mobilizando todos, neste caso, para o cinema”. E acrescentou: “Um festival destes possibilita discussão e respirar um ambiente cultural diferente.”
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