Exposição Itinerante
“Património à Prova de Água - Apontamento
para a salvaguarda das azenhas e açudes nas margens do Rio Ave.
Vila Nova de Famalicão/Trofa”
A produção e posterior disponibilização desta exposição tem entre
outros objectivos, possibilitar a diferentes instituições a
utilização de uma ferramenta de trabalho que poderá ser
rentabilizada em diversos contextos. Enquanto recurso pedagógico,
como meio de sensibilização, fonte de informação técnica e
científica, etc.
De salientar ainda a existência de diferentes materiais de apoio que
acompanham esta exposição, como é o caso: do vídeo que ajuda a
compreender melhor o funcionamento de alguns dos mecanismos destas
estruturas; o catálogo da exposição; o desdobrável / guia
explicativo da organização da exposição; o cartaz de divulgação.
A cedência desta exposição e dos respectivos materiais é gratuita
(ver regulamento e ficha técnica). Os pedidos são formalizados
através do formulário de requisição abaixo disponibilizado,
conjuntamente com os seguintes documentos: regulamento; ficha
técnica; termo de responsabilidade; questionário de avaliação.
Sempre que seja necessário algum esclarecimento adicional, o mesmo
deve ser endereçado para: geral@patrimoniodefamalicao.org,
ou contactado directamente o Gabinete do Património Cultural através
do Tel: 252 320 954.
«O património
construído vernáculo ou tradicional suscita a afeição e
o orgulho de todos os povos. É reconhecido como uma
criação característica genuína da sociedade. É
utilitário e, ao mesmo tempo, interessante e belo.
Apesar de ser obra do Homem, é também uma criação do
tempo. Conservar e promover estas harmonias tradicionais
que constituem uma referência da existência humana é
dignificar a memória da Humanidade.»
Carta sobre o Património construído
Vernáculo; ICOMOS, Cidade do México, 17 a 23 de
Outubro de 1999
Esta exposição, pensada numa perspectiva de futuras
itinerâncias, tem por base a investigação realizada pelo
Arq. Rogério Bruno Guimarães Matos sobre a história da
actividade e tecnologias associadas de 15 Azenhas e 9 Açudes
localizadas no vale do Ave, situados a cerca de 20Km da foz.
Procuramos com este trabalho, lançar a reflexão sobre a
relação entre o património edificado e território envolvente
numa área de cruzamento das fronteiras administrativas de
dois concelhos vizinhos: Vila Nova de Famalicão e Trofa. O
trabalho realizado procurou produzir conteúdos que fossem de
encontro à própria génese destas construções, ou seja,
voltar a unir as duas margens. Só assim será possível
caminhar para uma análise adequada, deste “organismo difuso
plurinuclear” que se estende no território ao longo do rio
reconhecido / desconhecido actualmente pela sociedade como
“Património”.
Procuramos assim, mostrar que a análise das Azenhas e Açudes
do Rio Ave enquanto “Património Arquitectónico”, não deve
ser restrita ao edifício mas deve sempre englobar o núcleo
composto pelo conjunto edificado envolvente que, regra
geral, é constituído por duas Azenhas, um açude, um armazém
de cereal, a casa do moleiro, o abrigo dos animais, o
sistema de rega, o grupo de espécies vegetais e animais e
todos os elementos que contribuem para a valorização do
conjunto. Estudar uma Azenha na margem direita sem conhecer
a Azenha da margem esquerda seria um estudo incompleto, a
história de ambas cruzaram-se e relacionaram-se ao longo de
séculos. Nesse sentido, as azenhas das margens direita e
esquerda com o respectivo açude, devem ser entendidas como
um núcleo construtivo interligado, que integra um organismo
difuso que se estende pelo rio da nascente até à foz, com um
ritmo definido.
Deste vasto universo, destacamos um conjunto de núcleos
construídos nas margens do rio Ave que representam a
actividade pré industrial da região. As azenhas e açudes,
são construções que reúnem em si, um conjunto de valores,
sejam eles de memória, industriais/económicos ou artísticos,
que integrados na paisagem contribuem para a preciosa
ancoragem entre passado/presente Homem/Natureza. Este factor
implica indubitavelmente uma reflexão sobre este património
específico que se dilui no tempo, e que infelizmente se
degrada dia após dia.